quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

QUELÉ – A VOZ DA COR

                                                                                                                                                                     

                                                          

Era para ser apenas o trabalho de conclusão do curso de jornalismo dos quatro jovens na Universidade Metodista de São Paulo. Porém, quando propuseram a história de Clementina de Jesus como tema, não foram estimulados em seguir com a proposta, pela imensa dificuldade de se encontrar acervo documental sobre a vida da ex-empregada doméstica que, mesmo tendo sua carreira formal de cantora iniciado somente em 1964, pelas mãos do poeta e produtor cultural Hermínio Belo de Carvalho, conseguiu, com sua voz possante, encantar multidões no Brasil e no exterior.

O fato é que os estudantes Janaína Marquesini, Felipe Castro (reside em São Bernardo do Campo), Luana Costa e Raquel Munhoz, foram resistentes, mantiveram o foco e decidiram ir atrás dos personagens importantes que conviveram com Clementina, que também era chamada de Quelé.



A tarefa não foi nada fácil. Milton Nascimento os recebeu somente dois anos depois de insistentes pedidos do quarteto, após ser convencido de que não se tratava de um simples trabalho de faculdade. Também foi uma luta com Hermínio Belo de Carvalho, pois o mesmo disse não durante quatro meses, apesar dos insistentes telefonemas que recebia de duas a três vezes por semana.

Foram em busca de depoimentos gravados no MIS (Museu da Imagem e do Som)  e na Funarte.

Apesar das adversidades, o trabalho foi concluído e apresentado. A banca deu nota 10 e o resultado virou o livro - QUELÉ – A VOZ DA COR - cujo lançamento aconteceu no dia 10 deste mês, na Livraria da Vila, em Pinheiros, com a presença de muitas pessoas que aguardaram pacientemente na imensa fila que se formou para os autógrafos dos quatro jovens biógrafos que nos presentearam com a história de uma artista que ajudou a enriquecer a cultura brasileira.


“Trinta anos é tempo de sobra. No caso de Clementina de Jesus, morta em 1987, nenhum jornalista experiente ainda tinha se dedicado a ela. Coube a quatro jovens assumir a missão quando ainda eram universitários. Não sucumbiram às dificuldades que cercam a história de uma pessoa tão representativa da cultura oral.” Luiz Fernando Vianna

                                                                                                                                 Neusa Borges

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Se você não tem cadastro no Google, pode deixar seu comentário selecionando a opção Nome/URL no campo Comentar como logo abaixo.